A hipnose clínica na prevenção e reabilitação da vítima de AVC

O estilo de vida é um factor determinante para a promoção de um AVC. Se vivermos em constante ansiedade e inibirmos os momentos de relaxamento, tanto fisico, como mental podemos (a médio e longo prazo) estar a promover um AVC.

Sendo um estado natural de consciência alterado – diferente do estado de vigília – promovido por um estado de foco e concentração muito grande, que leva o indivíduo a dissociar corpo e mente, a hipnose vai permitir o relaxamento mental necessário para diminuir a ansiedade e, deste modo, prevenir o aparecimento de um AVC.

No entanto, a hipnose clínica funciona, igualmente, como terapia para a recuperação física e motivacional da vítima de AVC. Por meio da heterossugestão, o paciente entra num estado de transe, a mente inconsciente eleva-se, gerindo e assimilando cada sugestão ou auto-sugestão, sem as limitações físicas e temporais pré concebidas ou críticas da mente racional e dedutiva, permitindo-o relaxar os membros atrofiados e trabalhar a recuperação física sem dores musculares, sendo assim possível estimular a amplitude e o tônus muscular.

Como tal, é recomendado o recurso à hipnose em simultâneo com as sessões de fisioterapia, terapia da fala ou outras terapias prescritas. O hipnólogo pode, inclusivamente, deslocar-se ao centro de fisioterapia para induzir o paciente, de forma a poder fazer os exercícios sem dor ou ainda, “gravar” um comando no cérebro do paciente para que, quando ouça as indicações do seu fisioterapeuta, todo o corpo fique relaxado e sem dor, como quando o faz com hipnose.

Através de auto-hipnose, o paciente aprende ainda a entrar em transe e a criar o seu próprio relaxamento. A sua mente, ao estar tranquila, permitir-lhe-á pensar com mais assertividade e diminuir a ansiedade, condição essencial para que consiga controlar melhor a forma como se vê no mundo que o rodeia, reintegrando-se na sociedade com mais facilidade.

Esta terapia não interfere com a medicação, pelo contrário. Proporciona uma reabilitação mais rápida e duradoura, activando os efeitos positivos da medicação e anulando os efeitos secundários. Igualmente, ao promover uma maior motivação para ultrapassar os desafios inerentes à condição do paciente, reduz o risco de depressão proveniente da sensação de dependência das outras pessoas.

Finalmente, sendo vital que o paciente usufrua do maior número de horas possível de terapia – e para que não esteja dependente da disponibilidade do terapeuta – é dada, ao cuidador, formação básica em hipnose.