HIPNOTERAPIA & HIPNOSE CLÍNICA

A hipnose é um estado natural que pode ser induzido por um hipnoterapeuta ou ocorrer expontaneamente. Quando estamos absortos a olhar para a televisão, o que acontece à nossa volta parece estar longe, as vozes e o movimento das outras pessoas, a que poderemos chamar de estimulos periféricos, continuam presentes, mas ao mesmo tempo suficientemente distantes para não interferirem no nosso foco. Nesses momento estamos em transe hipnótico!

Será interessante referir que a hipnose não é inconsciência, bem pelo contrário, poderemos dizer que é hiperconsciência, pois neste estado temos acesso a recursos que antes estavam escondidos, ou seja, é um estado de cosciência expandida. Ora, é exatamente esta capacidade que torna o estado de transe hipnotico adequado à promoção da cura, pois um hipnotrerapeuta competente poderá ajudar quem o procura a mobilizar este potencial interno no sentido da resolução de diversos problemas.

A hipnose também é muitas vezes confundida com o sono, o que não é correto. É fácil comprovar, através do recurso a registos electroencefalográficos, que no estádio de vigilia predominam as ondas cerebrais do tipo beta, sendo as ondas tipo delta e teta predominantes no sono biológico. No estado de transe hipnórtico, que poderemos situar algures entre a vigilia e o sono, predominam as ondas cerebrais do tipo alfa.

Curiosamente um dos medos mais comuns em relação à hipnose é o de perder a lúcidez ou consciência durante este processo. Tal não é comum nas sessões de hipnoterapia, pois o consulente manter-se-à consciente e com capacidade de despertar quando assim o entender. Aliás, ninguém é hipnotizado sem o seu consentimento e colaboração. O Hipnólogo não tem quaisquer poderes especiais, apenas usa técnicas adequadas para a indução da pessoa ao estado desejado, não controlando a vontade da mesma.

A hipnose clinica é uma terapia breve em comparação com as intervenções convencionais, sendo cada vez mais prestigiada pelos estudos ciêntificos e académicos que comprovam os beneficios da sua aplicação, obtendo resultados de grande valia em diversas áreas como no controlo da dor, nas doenças psicossomáticas, no controlo de adições, entre muitas outras áreas de intervenção.

Com a divulgação cada vez maior da técnica de regressão (hipnoanálise), existe alguma confusão com a hipnose. De uma forma simples poderemos dizer que para haver regressão é necessário que o sujeito atinja um transe hipnótico médio alto ou profundo, ou seja, a hipnose é uma ferramenta adequada para que estes estágios hipnóticos sejam atingidos.

Não existem chaves universais para a resolução dos problemas de cada pessoa. Cada problema tem uma porta que nos leva à sua resolução, mas para podermos entrar necessitamos da chave que abre essa fechadura. Cabe ao hipnoterapeuta compreender e respeitar as idiossincrasias de cada pessoa, pois todos temos uma genética e vivências únicas que constribuiram para moldar quem somos. Por este motivo é tão importante o dominio de um vasto leque de técnicas para que a abordagem seja adequada e única para cada individuo, sem esquecer o ensinamento que nos deixou Carl Jung “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”.